Vasco Rodrigues de Calvelo


Roguei-vos eu, madre, há i gram sazom,
por meu amig', a que quero gram bem,
que o viss'eu, e a vós nom prougu'en;
mais, poilo eu já vi, de coraçom
5       gradesc'a Deus que mi o fezo veer,
       e que nom hei a vós que gradecer.
  
Gram sazom há, madre, que vos roguei
que o leixássedes migo falar
e nom quisestes vós esto outorgar;
10mais, poilo eu já vi [e lhi falei],
       gradesc'a Deus que mi o fezo veer,
       e que nom hei a vós que gradecer.
  
Vós nom quisestes que veess'aqui
o meu amig', ond'havia sabor
15de o veer, e quis Nostro Senhor
que o eu visse, mais, poilo eu já vi,
       gradesc'a Deus que mi o fezo veer,
       e que nom hei a vós que gradecer.
  
Mostrou-mi-o Deus e fez-mi gram prazer,
20sem haver eu a vós que gradecer.



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Nota geral:

Dirigindo-se à sua mãe, a moça diz-lhe que, tendo-lhe pedido há muito para ver o seu amigo e não tendo ela permitido, agradece a Deus não só tê-lo visto, mas não ter sequer de lhe agradecer a ela.
É possível que a cantiga seja uma continuação da anterior.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amigo
Refrão
Cobras singulares
Finda
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 851, V 437

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 851

Cancioneiro da Vaticana - V 437


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas