João Garcia de Guilhade


Par Deus, amigas, já me nom quer bem
o meu amigo, pois ora ficou
onde m'eu vim e outra o mandou;
e direi-vos, amigas, ũa rem:
5       se m'el quisesse como soía,
       já 'gora, amigas, migo seria.
  
E já cobrad[o] é seu coraçom,
pois el ficou, u lh'a mia cinta dei,
[.............................]
10e, mias amigas, se Deus mi perdom,
       se m'el quisesse como soía,
       já 'gora, amigas, migo seria.
  
Fez-m'el chorar muito dos olhos meus
com gram pesar que m'hoje fez prender:
15quant'eu dixi, outro m'ouvira dizer,
ai mias amigas, se mi valha Deus;
       se m'el quisesse como soía,
       já 'gora, amigas, migo seria.
  



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Nota geral:

Em sequência com a cantiga anterior, a donzela, dirigindo-se de novo à amigas, lamenta-se: o seu amigo já não gosta dela como dantes, pois deixou-a partir e não a acompanhou, decerto porque uma outra lhe pediu para ficar. E não quis saber das prendas que ela lhe deu, nem das palavras que lhe disse - palavras que não teria dito, se soubesse o quanto iria chorar.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amigo
Refrão
Cobras singulares
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 748, V 350

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 748

Cancioneiro da Vaticana - V 350


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Sejamos como toda a gente 

Versão de Fontes Rocha, Natália Correia