Afonso Mendes de Besteiros


Fals'amigo, per bõa fé,
m'eu sei que queredes gram bem
outra molher, e por mi rem
nom dades, mais, pois assi é,
5       oimais fazede des aqui
       capa doutra, ca nom de mim.
  
Ca noutro dia vos achei
falar no voss'e nom em al
com outra, e foi m'ende mal,
10mais, pois que a verdade sei,
       oimais fazede des aqui
       capa doutra, ca nom de mim.
  
E quando vos eu vi falar
com outra, log'i bem vi eu
15que seu érades, ca nom meu,
mais quero-vos eu desenganar:
       oimais fazede des aqui
       capa doutra, ca nom de mim.



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Nota geral:

Encontrando-o a falar com uma outra, a moça diz que sabe agora que o seu amigo é falso e nunca a amou. Assim sendo, diz-lhe que a partir de agora se recusa a servir-lhe de capacho (ou seja, que se sirva dela como coisa descartável).



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amigo
Refrão
Cobras singulares
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 729, V 330
(C 729)

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 729

Cancioneiro da Vaticana - V 330


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas