Estêvão Travanca


Amigas, quando se quitou
meu amig'um dia daqui,
pero mi o eu cuitado vi
e m'el ante muito rogou
5       que lhi perdoass', e nom quis,
       e fiz mal, porque o nom fiz.
  
E pavor hei de s'alongar
daqui, assi Deus mi perdom,
e fará-o com gram razom,
10ca me veo ante rogar
       que lhi perdoass', e nom quis,
       e fiz mal, porque o nom fiz.
  
Chamava-m'el lume dos seus
olhos e seu bem e seu mal;
15poilo nom fazia por al,
que o [eu] fezesse por Deus:
       que lhi perdoass', e nom quis,
       e fiz mal, porque o nom fiz.
  
E, se o por en perdud'hei,
20nunca maior dereito vi,
ca veo chorar ante mi
e disse-mi o que vos direi:
       que lhi perdoass', e nom quis,
       e fiz mal, porque o nom fiz.
  
25E sempre m'en mal acharei
porque lh'entom nom perdoei,
  
ca, se lh'eu perdoass'ali,
nunca s'el partira daqui.



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Nota geral:

Falando com as amigas, a moça inquieta-se por não ter perdoado ao seu amigo, que lho pedia, antes de partir. Agora receia que ele não volte mais e arrepende-se amargamente.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amigo
Refrão
Cobras singulares
Finda (2)
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 723, V 324

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 723

Cancioneiro da Vaticana - V 324


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas