Gonçalo Anes do Vinhal


Meu amig'é daquend'ido,
amiga, mui meu amigo;
dizem-mi, bem vo-lo digo,
que é já de mim partido
  5       - mais que preito tam guisado!
  
Pero vistes que chorava
quando se de mim partia,
disserom-mi que morria
por outra, a que trobava
10       - mais que preito tam guisado!
  
O que sei de pram que morre
por mim, o que nom faz torto,
dizem-m'ora que é morto
'si, se lh'outra nom acorre
15       - mais que preito tam guisado!



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Nota geral:

A donzela ouve dizer que o seu amigo, que partiu, tem outra, por quem morre e a quem dirige as suas trovas. Tendo visto como ele chorava ao partir, e tendo a certeza que ele a ama e lhe é leal, no refrão, ela comenta ironicamente: mas que história mais adequada! Note-se, de qualquer forma, que a sua ironia é, mesmo assim, ambígua, a arte do trovador sugerindo que as suas certezas não são absolutas.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amigo
Refrão
Cobras singulares
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Fontes manuscritas

B 712, V 313

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 712

Cancioneiro da Vaticana - V 313


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas