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Gonçalo Anes do Vinhal


Par Deus, amiga, quant'eu receei      ←
do meu amigo, todo m'hoj'avém:      ←
ca receei de mi querer gram bem,      ←
como m'el quer, polo que vos direi:      ←
5eu, pois fui nada, nunca houv'amor      ←
nem quig'amig'em tal razom haver;      ←
e el filhou-m'à força por senhor,      ←
a meu pesar, e morrerá por en.      ←
  
E nom se pod'alongar, eu o sei,      ←
10dos que migo falam, nem encobrir,      ←
 que lhis nom fale em al, pera oír      ←
em mi falar; e já me lhi ensanhei      ←
por que o fez, e nunca el maior      ←
pesar oíu, mais nom pod'al fazer;      ←
15mais, esso pouco que el vivo for,      ←
farei-vo-lh'eu o que m'el faz sentir.      ←
  
E sabe Deus o pesar que end'hei      ←
- mais nom se pode de mui gram pesar      ←
 guardar, seno[m] que[m] x'en del quer guardar;      ←
 20mais sempre m'eu d'atal preito guardei      ←
 o mais que pud'e nom houv'i sabor;      ←
mais el me mata porque quer morrer      ←
por mi, de pram; e, do que m'é peior,      ←
nom pod'en já o coraçom quitar.      ←
  
25E há tam gram coita de me veer      ←
que lh'haverám este preit'a saber.      ←



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Nota geral:

Cantiga de amigo que funciona como uma espécie de negativo de uma cantiga de amor, já que nela a voz feminina descreve um comportamento amoroso que a voz masculina inúmeras vezes assume na primeira pessoa. No caso, a donzela mostra o seu receio e desagrado por o amigo a ter filhado por senhor, ou seja, por se ter posto ao seu serviço, e isto sem o seu consentimento, motivo pelo qual ela promete, furiosa, que ele morrerá. Nas segunda e terceira estrofes e na finda, a donzela especifica: ele não consegue afastar-se dela, nem esconder o que sente, mesmo que tente disfarçar, falando de outras coisas em público, o que já fez com que ela se zangasse. O facto de querer morrer por ela também a mata, e o pior é que ele não desiste. Com tal atitude, decerto que, mais cedo ou mais tarde, todos descobrirão o que se passa.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amigo
Mestria
Cobras uníssonas (rima b singular)
Palavra perduda: v. 6 de cada estrofe
Finda
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 707, V 308

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 707

Cancioneiro da Vaticana - V 308


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas