Vasco Praga de Sandim


Deu'lo sab'hoje, mia senhor,
  (a quem se nom asconde rem,
 de pram) ca vos quer'eu melhor
doutra cousa; mais nom por bem
 5que de vós atenda, ca sei
ca já per vós nom perderei
       gram coita do meu coraçom.
  
Que eu i tenho, mia senhor,
por vós que me fazedes mal,
10porque desejo voss'amor,
 e en nom poss'i fazer al;
mais sõo quite de perder
per nulha guisa, sem morrer,
       gram coita do meu coraçom.
  
15Ca, mal pecado!, mia senhor,
bem per sei eu ca já 'ssi é:
que mi nom faredes maior
bem já nunca, per bõa fé,
ca me fezestes, pois vos vi;
20e nom perderei eu per i
       gram coita do meu coraçom.
  
Mais se Deus quiser, mia senhor,
agora quando m'eu quitar
aqui de vós, e sem vós for
25u vos nom vir nem vos falar,
bem per sei eu como será:
morrerei eu, e tolher-s'-á
       gram coita do meu coraçom.
  



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Nota geral:

Diz o trovador à sua senhora que Deus, que tudo conhece, sabe que ele a ama acima de todas as coisas. Mas não com a esperança de obter qualquer benefício, pois sabe que nunca deixará de sofrer por ela. E isto porque, se ele deseja o seu bem, e nada pode fazer quanto aos seus sentimentos, ela quer-lhe mal por isso. Assim sendo, nada fará cessar o seu sofrimento, salvo a morte. Todo o bem que ela lhe poderia conceder - tê-la conhecido - já lho concedeu e mais não fará. Também sabe, no entanto, que, quando se tiver de afastar dela e não a puder ver mais, então morrerá e logo perderá a coita do seu coração.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Refrão
Cobras singulares (rima a uníssona)
Palavra(s)-rima: (v. 1 de cada estrofe)
mia senhor
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 90

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 90


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas