D. Dinis


Por Deus, amiga, pês-vos do gram mal
 que diz andand'aquel meu desleal,
ca diz de mi e de vós outro tal,
andand'a muitos, que lhi fiz eu bem
5e que vós soubestes tod'este mal,
       de que eu nem vós nom soubemos rem.
  
 De vos en pesar é mui gram razom,
ca diz andando mui gram traiçom
de mim e de vós, se Deus mi perdom,
10u se louva de mim que lhi fiz bem,
e que vós soubestes end'a razom,
       de que eu nem vós nom soubemos rem.
  
De vos en pesar dereito per é,
ca diz de mim gram mal, per bõa fé,
 15e de vós, amiga, cada u
falando, ca diz que lhi fiz eu bem
 e ca vós soubestes todo com'é,
       de que eu nem vós nom soubemos rem.



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Nota geral:

Dirigindo-se a uma amiga, a donzela incita-a a ficar tão escandalizada e desgostosa como ela própria está, com o que anda a dizer o seu desleal amigo, e a toda a gente que encontra: que ela lhe concedeu os seus favores e que a sua amiga sabia de tudo e tinha sido cúmplice. Quando nenhuma delas teve conhecimento de tal coisa!



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amigo
Refrão
Cobras singulares
Palavra(s)-rima: (v. 4 de cada estrofe)
que lhi fiz (eu) bem
Dobre: (v. 1 e 5 de cada estrofe)
mal (I), razom (II), é (III)
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Fontes manuscritas

B 601, V 204

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 601

Cancioneiro da Vaticana - V 204


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas