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D. Dinis


Ai fals'amig'e sem lealdade,      ←
ora vej'eu a gram falsidade      ←
       com que mi vós há gram temp'andastes,      ←
ca doutra sei eu já por verdade      ←
 5       a que vós atal pedra lançastes.      ←
  
Amigo fals'e muit'encoberto,      ←
ora vej'eu o gram mal deserto      ←
       com que mi vós há gram temp'andastes,      ←
ca doutra sei eu já bem por certo      ←
10       a que vós atal pedra lançastes.      ←
  
Ai fals'amig', eu nom me temia      ←
do gram mal e da sabedoria      ←
       com que mi vós há gram temp'andastes,      ←
ca doutra sei eu, que o bem sabia,      ←
15       a que vós atal pedra lançastes.      ←
  
E de colherdes razom seria      ←
da falsidade que semeastes.      ←



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Nota geral:

Irada, a donzela acusa o seu amigo de deslealdade e traição: sabe agora que ele tem outra e que há muito tempo que a engana ardilosamente. A curiosa expressão do 2º verso do refrão a que vós atal pedra lançastes aludirá talvez a um antigo dito proverbial "lançar a pedra e esconder a mão", aqui significando um golpe à traição (que será comum às duas donzelas, uma vez que ele as engana a ambas). Na finda, ela exprime ainda o desejo que ele tenha a justa recompensa por tanta falsidade.
Não é impossível que a cantiga se relacione com a que a precede imediatamente nos manuscritos.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amigo
Refrão
Cobras singulares
Finda
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 595, V 198

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 595

Cancioneiro da Vaticana - V 198


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas