D. Dinis


Vós que vos em vossos cantares meu
amigo chamades, creede bem
 que nom dou eu por tal enfinta rem,
e por aquesto, senhor, vos mand'eu
5       que bem quanto quiserdes des aqui
       fazer, façades enfinta de mi.
  
Ca demo lev'essa rem que eu der
por enfinta fazer o mentiral
de mim, ca me nom monta bem nem mal,
10e por aquesto vos mand'eu, senher,
       que bem quanto quiserdes des aqui
       fazer, façades enfinta de mi.
  
Ca mi nom tolh'a mi rem, nem mi dá,
de s'enfinger de mi mui sem razom
15ao que eu nunca fiz se mal nom,
e por en, senhor, vos mand'ora já
       que bem quanto quiserdes des aqui
       fazer, façades enfinta de mi.
  
[E] estade com'estades de mi,
20e enfingede-vos bem des aqui.



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Nota geral:

Dirigindo-se ao seu amigo (mas servindo-se do vocativo senhor, o que é caso único neste género de cantigas), a donzela afirma que o facto de ele se apresentar como seu "amigo" nos cantares que lhe faz não passa de mera gabarolice, já que, da sua parte, a única coisa que lhe fez foi tratá-lo mal. Mas acrescenta ainda que essa gabarolice lhe é totalmente indiferente, podendo mesmo continuar a gabar-se, não sendo por isso que a sua atitude se irá alterar.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amigo
Refrão
Cobras singulares
Finda
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 561, V 164

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 561

Cancioneiro da Vaticana - V 164


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas