D. Dinis


Senhor, que bem parecedes,
 se mi contra vós valvesse
Deus, que vos fez, e quisesse
do mal que mi fazedes
5mi fezéssedes enmenda...
 E vedes, senhor, quejenda:
que vos viss'e vos prouguesse.
  
Bem parecedes, sem falha,
que nunca viu homem tanto,
10por meu mal e meu quebranto;
mais, senhor, que Deus vos valha,
por quanto mal hei levado
por vós, haja en, por grado,
veer-vos siquer já quanto.
  
15Da vossa gram fremosura,
ond'eu, senhor, atendia
gram bem e grand'alegria,
mi vem gram mal sem mesura;
 e pois hei coita sobeja,
20praza-vos já que vos veja
no ano ũa vez d'um dia.



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Nota geral:

Dirigindo-se à sua senhora, a mais bela e formosa, o trovador espera que Deus a inspire a fazer-lhe o favor de a poder ver. Nas duas estrofes finais, ele especifica o pouco que pede: vê-la de vez em quando (2ª estrofe); vê-la ao menos uma vez por ano (3ª estrofe).



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Mestria
Cobras singulares
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Fontes manuscritas

B 542, V 145

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 542

Cancioneiro da Vaticana - V 145


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Senhora que bem pareceis 

Versão de Fontes Rocha, Ary dos Santos