D. Dinis


Nom sei como me salv'a mia senhor
se me Deus ant'os seus olhos levar,
ca, par Deus, nom hei como m'assalvar
que me nom julgue por seu traedor,
5       pois tamanho temp'há que guareci
       sem seu mandad'oir e a nom vi.
  
E sei eu mui bem no meu coraçom
o que mia senhor fremosa fará
depois que ant'ela for: julgar-m'-á
10por seu traedor com mui gram razom,
       pois tamanho temp'há que guareci
       sem seu mandad'oir e a nom vi.
  
E pois tamanho foi o erro meu,
que lhe fiz torto tam descomunal,
15se mi a sa gram mesura nom val,
julgar-m'-á por en por traedor seu,
       pois tamanho temp'há que guareci
       sem seu mandad'oir e a nom vi.
  
[E] se o juizo passar assi,
20ai eu cativ'! e que será de mim?



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Nota geral:

O trovador não sabe como se justificar perante a sua senhora, quando a encontrar, pelo facto de conseguir viver há tanto tempo sem notícias dela e sem a ver. Decerto ela o considerará um traidor, quando estiver de novo na sua presença. Que será dele então?



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Refrão
Cobras singulares
Finda
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 529, T 6, V 112

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 529

Cancioneiro da Vaticana - V 112

Pergaminho Sharrer - T 6


Versões musicais

Originais

VI. Non sei como me salv’a mha senhor      versão audio disponível

Versões de D. Dinis

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas