D. Dinis


Senhor fremosa, nom poss'eu osmar
que est aquel em que vos mereci
tam muito mal quam muito vós a mi
fazedes; e venho-vos preguntar
5o por que é, ca nom poss'entender,
(se Deus me leixe de vós bem achar),
em que vo-l'eu podesse merecer.
  
Se é, senhor, porque vos sei amar
mui mais que os meus olhos, nem ca mi,
10e assi foi sempre des que vos vi;
pero sabe Deus que hei gram pesar
de vos amar, mais nom poss'al fazer;
e por en vós, a quem Deus nom fez par,
nom me devedes i culpa põer.
  
15Ca sabe Deus que se m'end'eu quitar
podera des quant'há que vos servi,
mui de grado o fezera log'i;
mais nunca pudi o coraçom forçar
que vos gram bem nom houvess'a querer;
20e por en nom dev'eu a lazerar,
senhor, nem devo por end'a morrer.



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Nota geral:

Dirigindo-se à sua senhora, o trovador solicita-lhe que lhe diga em que é que errou, já que não entende por que razão o trata tão mal. Se é por a amar acima de tudo, confessa que é incapaz de deixar de o fazer, logo não tem culpa. Até porque, se pudesse deixar de a amar, de bom grado o faria. Assim, o seu sofrimento e a sua morte serão injustos.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Mestria
Cobras uníssonas
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 528, T 5, V 111

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 528

Cancioneiro da Vaticana - V 111

Pergaminho Sharrer - T 5


Versões musicais

Originais

V. Senhor fremosa, non poss’eu osmar      versão audio disponível

Versões de D. Dinis

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas