D. Dinis


Da mia senhor, que eu servi
sempr'e que mais ca mi amei,
veed', amigos, que tort'hei,
que nunca tam gram torto vi:
 5ca, pero a sempre servi,
       grand'é o mal que mia senhor
       mi quer; mais quero-lh'eu maior
  
mal que posso: sei, per gram bem,
lhi querer mais ca mim nem al;
10e se aquest'é querer mal,
 est'é o que a mim avém:
ca pero lhi quero tal bem
       grand'é o mal que mia senhor
       mi quer; mais quero-lh'eu maior
  
15mal que posso: se per servir
e pela mais ca mim amar,
se est'é mal, a meu cuidar,
este mal nom poss'eu partir;
ca, pero que a fui servir,
20       grand'é o mal que mia senhor
       mi quer; mais quero-lh'eu maior
  
mal que poss'; e pero nozir
nom mi devia desamor,
tal que no bem nom há melhor.



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Nota geral:

O trovador sempre amou e serviu a sua senhora, mas ela faz a injustiça de lhe querer mal. O trovador faz então um jogo de palavras: se o seu amor a incomoda, então, na perspetiva da senhora, maior mal lhe quer ele a ela. Só que deste "querer mal" (amá-la e incomodá-la) ele não se pode afastar, e ela, dona das maiores qualidades, não o deveria prejudicar com o seu desamor.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Refrão
Cobras singulares
Dobre: (vv. 1 e 5 de cada estrofe)
servi (I), bem (II), servir (III)
Ateúda atá finda
Finda
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 505, V 88

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 505

Cancioneiro da Vaticana - V 88


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas