Antroponímia referida na cantiga:
  (linha 1)

Afonso X


 Domingas Eanes houve sa baralha      ←
 com uum genet', e foi mal ferida;      ←
 empero foi ela i tam ardida      ←
que houve depois a vencer, sem falha,      ←
5e, de pram, venceu bõo cavaleiro;      ←
mais empero era-x'el tam braceiro      ←
 que houv'end'ela de ficar colpada.      ←
  
 O colbe [a] colheu per ũa malha      ←
 da loriga, que era desmentida;      ←
10e pesa-m'ende, porque essa ida,      ←
de prez que houve mais, se Deus me valha,      ←
venceu ela; mais [pel]o cavaleiro,      ←
per sas armas e per com'er'arteiro,      ←
já sempr'end'ela seerá sinalada.      ←
  
 15E aquel mouro trouxe, con'o veite,      ←
dous companhões em toda esta guerra;      ←
e de mais há preço que nunca erra      ←
de dar gram colpe com seu tragazeite;      ←
e foi-a achar come costa juso,      ←
20e deu-lhi por en tal colpe de suso      ←
que já a chaga nunca vai cerrada.      ←
  
 E dizem meges que usam tal preite      ←
que atal chaga jamais nunca cerra,      ←
se com quanta lã há em esta terra      ←
25a escaentassem, nem cõn'o azeite;      ←
 porque a chaga nom vai contra juso,      ←
mais vai em redor, come perafuso,      ←
 e por en muit'há que é fistolada.      ←



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Nota geral:

Em forma de equívoco erótico, o rei descreve um combate que uma soldadeira, de seu nome Domingas Eanes, teria tido com um cavaleiro mouro e da qual teria saído vencedora, apesar da ferida provocada pelo tragazeite (a lança) deste último, ferida que os médicos se mostram incapazes de fechar.



Nota geral


Descrição

Escárnio e Maldizer
Mestria
Cobras doblas
Palavra(s)-rima: (v. 5 de cada estrofe)
cavaleiro (I), juso (III, IV)
Palavra perduda: v. 7 de cada estrofe
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 495, V 78

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 495

Cancioneiro da Vaticana - V 78


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas