Toponímia referida na cantiga:
  (linha 21)

Afonso X


O que foi passar a serra      ←
e nom quis servir a terra,      ←
é ora, entrant'a guerra,      ←
       que faroneja?      ←
5Pois el agora tam muit'erra,      ←
       maldito seja!      ←
  
O que levou os dinheiros      ←
e nom troux'os cavaleiros,      ←
é por nom ir nos primeiros      ←
10       que faroneja?      ←
 Pois que vem cõn'os prostumeiros,      ←
       maldito seja!      ←
  
 O que filhou gram soldada      ←
e nunca fez cavalgada,      ←
15é por nom ir a Graada      ←
       que faroneja?      ←
Se é ric'hom'ou há mesnada,      ←
       maldito seja!      ←
  
O que meteu na taleiga      ←
 20pouc'haver e muita meiga,      ←
é por nom entrar na Veiga      ←
       que faroneja?      ←
Pois chus mol é [el] que manteiga,      ←
       maldito seja!      ←



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Nota geral:

Novo ataque ao comportamento, considerado infame, de uma parte da nobreza nas campanhas da Andaluzia. Aqui o que se critica é, especificamente, a atitude dos que, não tendo combatido, viriam, com a vitória próxima, "farejar" as riquezas que outros tinham conquistado. Toda a cantiga gira em volta da repetição do sugestivo verbo faronejar, farejar, e da maldição final do refrão (note-se, no entanto, que recentemente (2018) Rios Milhám1 sugere que se trata de um castelhanismo, "haronear", verbo que significa ser preguiçoso a fazer algo). É possível que cada estrofe aludisse a um rico-homem diferente (que os contemporâneos saberiam certamente identificar).
Como outras cantigas de Afonso X, é provável que esta composição se insira no contexto de um dos conflitos políticos mais marcantes do seu reinado, a rebelião dos seus principais ricos-homens, ocorrida entre os anos 1272 e 1274, da qual resultou a sua recusa em integrarem, com os seus homens, a hoste real, que se preparava para defender a fronteira da Andaluzia face a um novo ataque das tropas muçulmanas vindas de Marrocos.

Referências

1 Ríos Milhám, José, Lírica trovadoresca em língua portuguesa. Exercícios ecdóticos (3) .
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Nota geral


Descrição

Escárnio e Maldizer
Refrão
Cobras singulares
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 494, V 77

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 494

Cancioneiro da Vaticana - V 77


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Serventês      versão audio disponível

Versão de Luís Cília