Toponímia referida na cantiga:
  (linha 2)

Afonso X


  Ao daiam de Cález eu achei      ←
 livros que lhe levavam de Berger,      ←
e o que os tragia preguntei      ←
por eles, e respondeu-m'el: - Senher,      ←
5com estes livros que vós vedes, dous,      ←
e con'os outros que el tem dos sous,      ←
fod'el per eles quanto foder quer.      ←
  
E ainda vos end'eu mais direi:      ←
 macar [e]na Lei muit'haj[a mester]      ←
10leer, por quant'eu sa fazenda sei,      ←
con'os livros que tem, nom há molher      ←
a que nom faça que semelhem grous      ←
os corvos e as anguias babous,      ←
per força de foder, se x'el quiser.      ←
  
15Ca nom há mais, na arte do foder,      ←
do que [e]nos livros que el tem jaz;      ←
e el há tal sabor de os leer      ←
que nunca noite nem dia al faz;      ←
e sabe d'arte do foder tam bem      ←
20que, con'os seus livros d'artes que el tem,      ←
  fod'el as mouras, cada que lhi praz.      ←
  
E mais vos contarei de seu saber      ←
que cõn'os livros que el tem [i] faz:      ←
manda-os ante si todos trager,      ←
25e pois que fode per eles assaz,      ←
se molher acha que o demo tem,      ←
assi a fode per arte e per sem,      ←
que saca dela o demo malvaz.      ←
  
 E com tod'esto, ainda faz al      ←
30con'os livros que tem, per bõa fé:      ←
se acha molher que haja [o] mal      ←
deste fogo que de Sam Marçal é,      ←
assi [a] vai per foder encantar      ←
que, fodendo, lhi faz bem semelhar      ←
35que é geada ou nev'e nom al.      ←



 ----- Aumentar letra ----- Diminuir letra

Nota geral:

Afonso X ataca jocosamente o deão de Cádis a propósito do seu gosto pelos livros eróticos, aliado ao seu pendor para a feitiçaria. Tratar-se-ia de livros árabes, como as referências às mouras parecem fazer entender? (como os sugeridos por Alfonso D´Agostino num artigo1 recente?) De qualquer forma, e numa linguagem bastante crua (embora transposta para a boca do criado que lhe levaria os ditos livros), o que Afonso X pretende dizer é que, com o pretexto de fazer curas milagrosas, ele punha em prática os ensinamentos desses livros com todas as mulheres que lhe passavam perto.
Não havendo dados concretos que nos permitam datar com segurança a cantiga, é possível, como sugere Márquez Villanueva2, que ela tenha sido composta por volta de 1267, ano em que o rei se ocupou, junto do bispo de Sevilha, de alguns problemas fiscais do cabido de Cádiz. Acrescente-se que o deão de Cádiz Rui Dias foi um dos encarregados reais do Repartimento de Jerez, efetuado em 12643. A tratar-se da mesma personagem, é possível que algum desentendimento posterior com o monarca tenha servido de contexto à sua cantiga.

Referências

1 D´Agostino, Alfonso (2012), "A vueltas con el Déan de Cádiz", Estudios de literatura medieval. 25 años de la AHLM, Murcia, Universidade de Murcia.
      Aceder à página Web


2 Márquez Villanueva (1983), “Las lecturas del deán de Cádiz”, in Cuadernos Hispanoamericanos, 395 .

3 González Jiménez, Manuel (1999), Alfonso X, Burgos, Editorial La Olmeda, 2ª Ed., p. 310, nota 11.



Nota geral


Descrição

Escárnio e Maldizer
Mestria
Cobras doblas (V singular)
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 493, V 76

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 493

Cancioneiro da Vaticana - V 76


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas