Toponímia referida na cantiga:
  (linha 18)

Afonso X


O genete      ←
pois remete      ←
seu alfaraz corredor      ←
estremece      ←
5e esmorece      ←
o coteife com pavor.      ←
  
Vi coteifes orpelados      ←
 estar mui mal espantados      ←
e genetes trosquiados      ←
10corriam-nos arredor;      ←
tinham-nos mal aficados      ←
[ca] perdian'a color.      ←
  
Vi coteifes de gram brio      ←
eno meio do estio      ←
15estar tremendo sem frio      ←
ant'os mouros d'Azamor;      ←
e ia-se deles rio      ←
que Auguadalquivir maior.      ←
  
Vi eu de coteifes azes,      ←
  20com infanções iguazes,      ←
 mui peores ca rapazes;      ←
e houveram tal pavor,      ←
que os seus panos d'arrazes      ←
tornarom doutra color.      ←
  
25Vi coteifes com arminhos,      ←
conhecedores de vinhos,      ←
e rapazes dos martinhos      ←
que nom tragiam senhor      ←
sairom aos mesquinhos,      ←
 30e fezerom o peor.      ←
  
Vi coteifes e cochões      ←
com mui [mais] longos granhões      ←
que as barvas dos cabrões:      ←
[e] ao som do atambor      ←
35os deitavam dos arções      ←
ant'os pees de seu senhor.      ←



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Nota geral:

Mais uma cantiga que nos transporta para os campos de batalha da chamada Reconquista cristã, e na qual Afonso X, com um realismo pleno de ironia, nos traça o quadro do terror dos soldados-vilãos (os coteifes) à aproximação da cavalaria inimiga, os temíveis genetes africanos muito certamente os voluntários benimerins de Marrocos (que se caracterizavam pelas cabeças rapadas1), vindos em auxílio do rei de Granada, no contra-ataque muçulmano que este rei protagonizou por volta de 1264, e de que resultou a derrota das tropas cristãs em Alcalá la Real2.
O refrão inicial, com o seu ritmo muito vivo, se não é caso único nos cancioneiros, é, no entanto, pouco habitual. Como lembra Carolina Michaelis (nota 47)3, o modelo métrico desta cantiga parece ser o da cantiga 24 do trovador catalão/ provençal Guilem de Berguedà (Un trichaire/ preste laire/ vol que chan pus suy chantaire).

Referências

1 Martinez-Gros, Gabriel (1997), Identité andalouse, Arles, Actes du Sud, p. 130.

2 González Jiménez, Manuel (1999), Alfonso X, Burgos, Editorial La Olmeda, 2ª Ed..

3 Vasconcelos, Carolina Michaëlis de (2004), "O almoço dos reis hispanos", in Glosas Marginais ao Cancioneiro Medieval Português (trad. do texto de 1905) , Coimbra, Acta Universitatis Conimbrigensis.



Nota geral


Descrição

Escárnio e Maldizer
Mestria
Cobras singulares (rima b uníssona)
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 491, V 74

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 491

Cancioneiro da Vaticana - V 74


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Cantiga de escarnho do rei Alfonso X el sabio      versão audio disponível

Versão de Miro Casabella