Afonso X


Senhor, justiça viimos pedir
que nos façades, e faredes bem:
d'a Gris furtarom tanto, que por en
nom lhi leixarom que possa cobrir;
5pero atant'aprendi d'um judeu:
que este furto fez uum romeu,
que foi já outros [assi] escarnir.
  
E tenho que vos nom veo mentir,
pelos sinaes que nos el diss'en
10ca eno rostr'o trage, [e] nom tem
por direito de s'end'el encobrir;
e se aquesto sofredes, bem lheu
querram a outr'assi furtá-l'o seu,
de que pode mui gram dano viir.
  
15É romeu que Deus assi quer servir
- por levar tal furt'a Jelusalém!
E sol nom cata como Gris nom tem
[já] nunca cousa de que se cobrir;
ca todo quant'el despendeu e deu
20dali foi - tod'aquesto [o] sei eu
e quant[o] el foi levar e vistir.



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Nota geral:

Curiosa composição, talvez de um Afonso X ainda Infante, em que se pede justiça ao rei numa questão de furto: Gris, provavelmente uma soldadeira, acusava um romeiro de lhe ter roubado todos os seus haveres. Pelo que se subentende da cantiga, a história seria outra e teria a ver com as relações da soldadeira com esse romeiro (e também com um judeu, que serve de testemunha). A cantiga joga maliciosamente com o dobre e mozdobre do termo "cobrir", repetido no 4º verso de cada estrofe - é nesse jogo, aliás, que assenta o equívoco.



Nota geral


Descrição

Escárnio e Maldizer
Mestria
Cobras uníssonas
Palavra(s)-rima: (v. 4 de cada estrofe)
cobrir/encobrir
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 483, V 66

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 483

Cancioneiro da Vaticana - V 66


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas