Toponímia referida na cantiga:
  (linha 14)

Afonso X


   Joam Rodriguiz foi desmar a Balteira      ←
sa midida, per que colha sa madeira;      ←
e disse: - Se [o] bem queredes fazer,      ←
de tal midida a devedes colher      ←
 5[assi] e não meor, per nulha maneira.      ←
  
E disse: - Esta é a madeira certeira,      ←
e, de mais, nõn'a dei eu a vós sinlheira;      ←
e pois que s'em compasso há de meter,      ←
atam longa deve toda [a] seer      ←
  10[que vaa] per antr'as pernas da 'scaleira.      ←
  
A Maior Moniz dei já outra tamanha,      ←
 e foi-a ela colher logo sem sanha;      ←
e Mari'Airas feze-o logo outro tal,      ←
 e Alvela, que andou em Portugal;      ←
 15e já x'as colherom [e]na montanha.      ←
  
E diss': - Esta é a midida d'Espanha,      ←
  ca nom de Lombardia nem d'Alamanha;      ←
e porque é grossa, nom vos seja mal,      ←
 ca delgada para gata rem nom val;      ←
 20e desto mui mais sei eu [i] ca boudanha.      ←



 ----- Aumentar letra ----- Diminuir letra

Nota geral:

Divertido equívoco que Afonso X compõe a propósito deste João Rodrigues, pelos vistos um funcionário fiscal, aqui em vias de fazer cálculos com a famosa Maria Balteira, com vista ao corte da madeira para uma casa que a soldadeira ia construir (madeira, ao que parece, fornecida pelo próprio Afonso X das suas matas reais). O equívoco, de óbvio sentido erótico, gira à volta da medida dessa madeira e ocasiona mesmo algumas comparações internacionais, de nítido cariz político.
Ao mesmo João Rodrigues dirige o rei uma outra cantiga, que infelizmente nos chegou incompleta.



Nota geral


Descrição

Escárnio e Maldizer
Mestria
Cobras doblas
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 481, V 64

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 481

Cancioneiro da Vaticana - V 64


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

A Balteira      versão audio disponível

Versão de Eurico Carrapatoso