Antroponímia referida na cantiga:
  (linha 1)

Afonso X


 [Maria Pérez vi muit'assanhada,]      ←
porque lhi rogavam que perdoasse      ←
Pero d'Ambroa, que o nom matasse,      ←
nem fosse contra el desmesurada.      ←
5E diss'ela:- Por Deus, nom me roguedes,      ←
 ca direi-vos de mim o que i entendo:      ←
       se ũa vez assanhar me fazedes,      ←
       saberedes quaes pêras eu vendo.      ←
  
Ca [me] rogades cousa desguisada      ←
10e nom sei eu quem vo-lo outorgasse:      ←
 de perdoar quen'o mal deostasse      ←
com'el fez a mim, estando em sa pousada.      ←
E pois vejo que me nom conhocedes,      ←
de mi atanto vos irei dizendo:      ←
15       se ũa vez assanhar me fazedes,      ←
       saberedes quaes pêras eu vendo.      ←
  
E se m'eu quisesse seer viltada      ←
bem acharia quem xe me viltasse;      ←
mais, se m'eu taes nom escarmentasse,      ←
20cedo meu preito nom seeria nada;      ←
e em sa prol nunca me vós faledes      ←
ca, se eu soubesse, morrer'ardendo;      ←
       se ũa vez assanhar me fazedes,      ←
       saberedes quaes pêras eu vendo.      ←
  
25E por esto é grande a mia nomeada,      ←
 ca nom foi tal que, se migo falhasse,      ←
que en[d'] eu mui bem [o] nom castigasse,      ←
 ca sempre fui temuda e dultada;      ←
e rogo-vos que me nom afiquedes      ←
 30daquesto, mais ide-m'assi sofrendo;      ←
       se ũa vez assanhar me fazedes,      ←
       saberedes quaes pêras eu vendo.      ←



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Nota geral:

Esta cantiga, sem numeração própria e a que falta o primeiro verso, faz parte do numeroso grupo de sátiras contra as soldadeiras, na pessoa de uma delas, que Rodrigues Lapa1 identifica, na reconstituição que faz do primeiro verso (e que mantivemos) com Maria Peres Balteira, identificação que parece justificar-se, dadas as alusões que nela são feitas ao jogral Pero d´Ambroa, tantas vezes associado à famosa soldadeira.
A cantiga desenvolve-se quase inteiramente como um suposto desabafo da soldadeira, seriamente indignada com os cantares (de escárnio, subentende-se) que o mesmo Pero d´Ambroa lhe teria feito (como, de facto, fez a Maria Balteira).

Referências

1 Lapa, Manuel Rodrigues (1970), Cantigas d´Escarnho e de Maldizer dos Cancioneiros Medievais Galego-Portugueses, 2ª Edição, Vigo, Editorial Galaxia.



Nota geral


Descrição

Escárnio e Maldizer
Refrão
Cobras uníssonas
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 471bis

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 471bis


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas