Toponímia referida na cantiga:
  (linha 1)

Afonso X


  Med'hei do pertigueiro que tem Deça,      ←
 semelha Pero Gil na calvareça,      ←
e nom vi mia senhor [há] mui gram peça,      ←
       Mília nem Sancha Fernándiz, que muit'amo.      ←
 5       - Antolha-xe-me riso, pertigueir', e chamo      ←
       Mília e Sancha Fernándiz, que muit'amo.      ←
  
Med'hei do pertigueir'e ando soo,      ←
que semelha Pero Gil no feijoo,      ←
e nom vi mia senhor, ond'hei gram doo,      ←
10       Mília nem Sancha Fernándiz, que muit'amo.      ←
       - Antolha-xe-me riso, pertigueir', e chamo      ←
       Mília e Sancha Fernándiz, que muit'amo.      ←
  
Med'hei do pertigueiro tal que mejo,      ←
que semelha Pero Gil no vedejo,      ←
15e nom vi mia senhor, ond'hei desejo:      ←
       Mília nem Sancha Fernándiz, que muit'amo.      ←
       - Antolha-xe-me riso, pertigueir', e chamo      ←
       Mília e Sancha Fernándiz, que muit'amo.      ←
  



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Nota geral:

Cantiga deveras obscura, não só pelas dificuldades de leitura do manuscrito, mas também pelas suas referências concretas, muito difíceis de contextualizar. Em termos gerais, tratar-se-á, ao que parece, de uma troça ao administrador (pertigueiro) da comarca de Deza, na Galiza, a propósito da obstinação com que guardaria a senhor do trovador, o qual fará ainda um jogo com a identidade de duas damas, eventualmente irmãs ou mãe e filha (Milia e Sancha Fernandes). De qualquer modo, a repetida comparação entre a calvície do pertigueiro e a de um tal Pero Gil escapa-nos. Como acontece frequentemente neste género de composições, o alvo da sátira deve ser duplo (estas duas personagens masculinas), ou mesmo triplo, se atendermos ao facto de a inclusão do nome da(s) senhor(es) poder ter igualmente um sentido satírico.
A cantiga terá certamente sido composta num contexto particular difícil de definir. Fernão Esteves de Castro, pertigueiro de Santiago (e não de Deza), foi casado com uma D. Milia de Mendonça. Entre os sete filhos que tiveram, uma chamava-se Sancha Fernández. Explicita o Livro de Linhagens do Conde D. Pedro que morreu donzela (XI H8, L9). Poderia D. Afonso estar a fazer aqui algum malicioso jogo com a junção do nome da mãe e da filha? Noutra ordem de ideias, poderiam as referências à calvície do tal Pero Gil ser uma alusão a algum pretendente da donzela de nome Calvo? (há várias personagens com este apelido nos LL). Refira-se ainda, nestas sugestões avulsas, que o apelido Feijó comparece igualmente nos Nobiliários (que nos informam que uma irmã do trovador D. João Soares Coelho casou com um Gil Peres Feijó).



Nota geral


Descrição

Escárnio e Maldizer
Refrão
Cobras singulares
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 460

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 460


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas