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Gonçalo Garcia

Rubrica:

 

Esta cantiga de cima fez o conde Dom Gonçalo Garcia em cas Dom Rodrigo Sanches, por ũa donzela que levarom a furto que havia nome Codorniz, e o porteiro havia nome Fiiz.


Levarom-n'a Codorniz      ←
de casa de Dom Rodrigo.      ←
Mais quem dissess'a Fiiz      ←
aquesto que lh[e] eu digo:      ←
5que guarde bem mia senhor,      ←
 ca já [som] eu treedor      ←
se se ela quer ir migo.      ←
  
Fiiz nom se quer guardar      ←
 [e] nem sol nom é pensado,       ←
10e leixa-m'assi andar      ←
cabo si e namorado;      ←
 pero quer'ante molher      ←
que queria volonter      ←
que fosse e nom forçado.      ←



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Nota geral:

Esta cantiga, mais jocosa que satírica, alude a um acontecimento que deu brado na época, o rapto de D. Maria Rodrigues Codorniz, nobre e jovem viúva, por um tal João Bezerra. D. Gonçalo Garcia brinca aqui com o caso, aconselhando o porteiro, de seu nome Fiz (termo, que, como adjetivo, significava "certo", "seguro"), a ter mais cautela, uma vez que também ele próprio poderá ser tentado a raptar a sua senhora (mas de preferência com o seu acordo).
O rapto de D. Maria Codorniz, efetuado pouco antes de 1245, ter-se-ia dado, segundo parece dizer a rubrica, em casa de D. Rodrigo Sanches, o filho bastardo de D. Sancho II e da Ribeirinha. Mas o Livro de Linhagens do Deão, que também refere o assunto (20G4), indica que foi em casa de D. Rodrigo Gomes (de Trava), o que a generalidade dos especialistas crêem mais lógico, dada a identidade da raptada, ainda familiar do senhor de Trava (em cuja corte o próprio raptor, João Fernandes Bezerra, está, aliás, documentado1). Assim sendo, e se não é simplesmente erro, é possível que a rubrica indique apenas, eventualmente, o local onde foi composta a cantiga.

Referências

1 Oliveira, António Resende de (1994), Depois do espectáculo trovadoresco. A estrutura dos cancioneiros peninsulares e as recolhas dos séculos XIII e XIV, Lisboa, Edições Colibri.



Nota geral


Descrição

Escárnio e Maldizer
Mestria
Cobras singulares
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 455
(C 455)

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 455


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas