Vasco Peres Pardal


Sempr'eu punhei de servir mia senhor
quant'eu mais pud', assi me venha bem;
pero direi-vo-lo que m'end'avém
e o poder em que me tem Amor:
5       nom me quer ela nẽum bem fazer
       e Amor me faz por ela morrer.
  
Ca nom catei por al, des que a vi,
senom por ela, e sempre punhei
de a servir; pero end'al nom hei
10senom aquest'; e avém-m'end'assi:
       nom me quer ela nẽum bem fazer
       e Amor me faz por ela morrer.
  
E sempr'eu cuidei no meu coraçom
de lhi fazer serviç'e me guardar
15de jamais nunca lhi fazer pesar;
pero vem-m'en mal por esta razom:
       nom me quer ela nẽum bem fazer
       e Amor me faz por ela morrer.



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Nota geral:

Embora sempre se tivesse esforçado por servir a sua senhora, afirma o trovador, nem ela nem o Amor o favorecem: ela, porque não lhe concede o seu bem, e o Amor, porque o faz morrer.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Refrão
Cobras singulares
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Fontes manuscritas

B 451, V 58
(C 451)

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 451

Cancioneiro da Vaticana - V 58


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas