Antroponímia referida na cantiga:
  (linha 13)

Pero Viviães


A Lobatom quer'eu ir,      ←
ai Deus, e tu me guia!      ←
que visse'hoj'eu por meu bem      ←
a que veer queria:      ←
5a que parece melhor      ←
de quantas Nostro Senhor      ←
 Deus fez é dona Joana;       ←
       por que moir'eu pelo seu      ←
       parecer que lhi Deus deu,      ←
10       a esta [dona] louçana?      ←
       Eu nõn'a vi, mais       ←
       dela muito bem; pois i      ←
       for, veerrei sa irmana.      ←
  
A Lobatom quer'eu ir      ←
  15ca, u and'eu [ou] sejo,      ←
sempre no meu coraçom      ←
muito veer desejo      ←
a senhor do melhor prez      ←
de quantas Deus nunca fez:      ←
20esta é dona Joana;      ←
       por que moir'eu pelo seu      ←
       parecer que lhi Deus deu,      ←
       a esta [dona] louçana?      ←
       Eu nõn'a vi, mais oí      ←
25       dela muito bem; pois i      ←
       for, veerrei sa irmana.      ←
  
A Lobatom quer'eu ir,      ←
 ca nom perço cuida'do      ←
coraçom, em guisa tal      ←
30que me trax aficado      ←
pola melhor das qu[e] sei,      ←
que se a nom vir morrerei:      ←
esta é dona Joana;      ←
       por que moir'eu pelo seu      ←
35       parecer que lhi Deus deu,      ←
       a esta [dona] louçana?      ←
       Eu nõn'a vi, mais oí      ←
       dela muito bem; pois i      ←
       for, veerrei sa irmana.      ←



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Nota geral:

Cantiga de amor que introduz algumas variações no modelo fixo do género, nomeadamente a indicação concreta do nome da senhora, D. Joana (que o trovador diz nunca ter visto). Também a referência, feita no refrão, à sua irmana (que ele irá ver em Lobatom, em sua substituição) contribui grandemente para a estranheza da composição.
Faltam-nos dados contextuais que nos permitam compreender cabalmente estas referências, embora propunhamos algumas sugestões nas notas. De qualquer forma, não é impossível que, poeticamente, o trovador esteja aqui, de algum modo, a glosar novamente o tema do "amor de longe", tornado célebre por uma das mais difundidas cantigas do trovador provençal Jaufre de Rudel, Lanquan li jorn son lonc en mai. De facto, a cantiga de amor anterior glosa exatamente este tema, pelo que é provável que as duas composições de algum modo se relacionem.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Refrão
Cobras singulares (rima a uníssona)
Palavra(s)-rima: (v. 7 de cada estrofe)
é dona Joana
Palavra perduda: vv. 1 e 3 de cada estrofe
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 448

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 448


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas