Toponímia referida na cantiga:
  (linha 26)

Afonso Sanches


Conhocedes a donzela      ←
por que trobei, que havia      ←
nome Dona Biringela?      ←
 Vedes camanha perfia      ←
5e cousa tam desguisada:      ←
des que ora foi casada      ←
chamam-lhe Dona Charia.      ←
  
 D'al and'ora mais nojado,      ←
se Deus me de mal defenda:      ←
10estand'ora segurado,      ←
um, que maa morte prenda      ←
e o Demo cedo tome,      ←
quis-la chamar per seu nome      ←
e chamou-lhe Dona Ousenda.      ←
  
15Pero se tem per fremosa,      ←
mais que s'ela poder pode,      ←
pola Virgem gloriosa,      ←
um homem que fede a bode      ←
e cedo seja na forca,      ←
 20estand'a cerrar-lhe a lorca,      ←
chamou-lhe Dona Gondrode.      ←
  
E par Deus, o poderoso,      ←
que fez esta senhor minha,      ←
d'al and'ora mais nojoso:      ←
 25do demo d'ũa meninha,      ←
 d'acolá bem de Zamora,      ←
 u lhe quis chamar senhora,      ←
chamou-lhe Dona Gontinha.      ←
  



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Nota geral:

Cantiga em que D. Afonso Sanches faz um elaborado jogo com o sentido etimológico de vários nomes próprios femininos, pelos quais, segundo ele, uma donzela recém-casada ia sendo sucessivamente conhecida. As alusões são evidentemente maliciosas, mas o mau estado do texto nos manuscritos e a nossa ignorância do contexto, só nos permitem ter uma ideia aproximada do sentido deste brinquedo poético em forma de charada. Damos, nas notas, algumas sugestões quanto ao possível sentido destes nomes próprios. Também a referência a Zamora poderá não ser inocente (como explicamos na nota toponímica respetiva)



Nota geral


Descrição

Escárnio e Maldizer
Mestria
Cobras singulares
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 415, V 26

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 415

Cancioneiro da Vaticana - V 26


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas