Afonso Sanches


De vos servir, mia senhor, nom me val,
pois nom atendo de vós rem e al
sei eu de vós: que vos ar fez Deus tal
que nunca m'al faredes; e por en,
5quer me queirades, senhor, bem, quer mal,
pois me de vós nom veer mal nem bem,
  
pois de vos servir hei mui gram sabor,
nom atendo bem do grande amor
que vos eu hei, ar sõo sabedor
10que nunca m'al havedes de fazer,
quer me queirades bem, quer mal, senhor,
pois mal nem bem de vós nom hei d'haver,
  
pois de vos servir é meu coraçom
e nom atendo por en galardom
15de vós; ar sei, assi Deus me perdom,
que m'al nom faredes por en, senher,
quer me queirades bem, quer mal, quer nom,
pois eu de vós mal nem bem nom houver.



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Nota geral:

Cantiga que joga com a antítese bem/mal, e ainda com a homofonia entre fazer mal e fazer-m´al (fazer-me outra coisa). A sua senhora não o ama e dela o trovador não pode esperar outra coisa (m´al), embora ela seja incapaz de fazer mal.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Mestria
Cobras singulares
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 407, V 18

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 407

Cancioneiro da Vaticana - V 18


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas