Fernão Rodrigues de Calheiros


 O gram cuidad'e o afã sobejo
que mi a mi faz a mia senhor levar,
se a eu ora mui cedo nom vejo,
já o eu nom poderei endurar.
5E non'o digo por me lhi queixar,
mais por[que] cuid'a morrer com desejo!
  
  Por [e]sto – ca por al sofrê-lo-ia
quanto xe m'ela quisesse fazer,
mentr'eu vivesse; mais nom poderia,
10se a nom visse mui cedo, viver;
nem a mim nom me devia aprazer,
 ca, sem veê-la, que prol mi terria?
  
Por eu viver como vivo, coitado,
des quando m'eu parti de mia senhor,
15de tal vida nom poss'eu haver grado,
da que me faz viver tam sem sabor,
como quem tem a morte por melhor
e seria dela mui mais pagado.
  
Pero bem vos digo que se podesse
20d'algũa guisa mia senhor veer,
 u lh'eu meu mal e mia coita dissesse,
nom há rem per que quisesse morrer:
sol que eu viss'o seu bom parecer,
nom há no mundo coita que houvesse!



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Nota geral:

O trovador suportará tudo da sua senhora, salvo não poder vê-la. E é exatamente por estar afastado que se sente perto da morte, que encara com prazer. No entanto, como nos diz na última estrofe, se pudesse arranjar maneira de a ver e de lhe confessar um pouco o seu sofrimento, este desejo de morte desapareceria por completo.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Mestria
Cobras singulares
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Fontes manuscritas

B 60

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 60


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas