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  (linha 7)

Fernão Rodrigues de Calheiros


 O gram cuidad'e o afã sobejo      ←
que mi a mi faz a mia senhor levar,      ←
se a eu ora mui cedo nom vejo,      ←
já o eu nom poderei endurar.      ←
5E non'o digo por me lhi queixar,      ←
mais por[que] cuid'a morrer com desejo!      ←
  
  Por [e]sto – ca por al sofrê-lo-ia      ←
quanto xe m'ela quisesse fazer,      ←
mentr'eu vivesse; mais nom poderia,      ←
10se a nom visse mui cedo, viver;      ←
nem a mim nom me devia aprazer,      ←
 ca, sem veê-la, que prol mi terria?      ←
  
Por eu viver como vivo, coitado,      ←
des quando m'eu parti de mia senhor,      ←
15de tal vida nom poss'eu haver grado,      ←
da que me faz viver tam sem sabor,      ←
como quem tem a morte por melhor      ←
e seria dela mui mais pagado.      ←
  
Pero bem vos digo que se podesse      ←
20d'algũa guisa mia senhor veer,      ←
 u lh'eu meu mal e mia coita dissesse,      ←
nom há rem per que quisesse morrer:      ←
sol que eu viss'o seu bom parecer,      ←
nom há no mundo coita que houvesse!      ←



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Nota geral:

O trovador suportará tudo da sua senhora, salvo não poder vê-la. E é exatamente por estar afastado que se sente perto da morte, que encara com prazer. No entanto, como nos diz na última estrofe, se pudesse arranjar maneira de a ver e de lhe confessar um pouco o seu sofrimento, este desejo de morte desapareceria por completo.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Mestria
Cobras singulares
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Fontes manuscritas

B 60

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 60


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas