Cantiga referida em nota


João Lopes de Ulhoa


A mia senhor, que me foi amostrar
Deus por meu mal, por vos eu nom mentir,
e que sempr'eu punhei de a servir
muit', houve gram sabor de m'enganar:
 5ca me falou primeir', u a vi, bem;
e pois que viu que perdia o sem
por ela, nunca m'er quiso falar.
  
E se m'eu dela soubesse guardar,
quando a vi, punhara de guarir;
10mais foi-m'ela bem falar e riir,
e falei-lh'eu; e nom a vi queixar,
nem se queixou que a chamei "senhor"!
E pois me viu mui coitado d'amor,
prougo-lhe muit'e nom m'er quis catar!
  
15E pois me queria desemparar,
quando a vi, mandasse-me partir
logo de si! E mandasse-m'end'ir!
Mais nom lhe vi de nulha rem pesar
que lh'eu dissesse, tam bem me catou!
20E pois viu que seu amor me forçou,
leixou-m'assi desemparad'andar.
  
E deferença dev'end'a filhar
tod'home, que dona fremosa vir,
de mim: e guarde-se bem de nom ir,
25com'eu fui log', em seu poder entrar;
ca lh'averrá com'aveo a mim:
servi-a muit', e pois que a servi,
fez-mi aquesto quant'oídes contar!



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Nota geral:

O trovador sente que a sua senhora o enganou: da primeira vez que a viu, falou-lhe muito bem, riu-se até, e nem mesmo se queixou quando ele lhe chamou "senhora" (declarando-se seu vassalo); mas, logo que o viu doido de amor, não voltou a falar-lhe e nem mesmo olha para ele. E assim o trovador queixa-se: se não o queria, mais valia tê-lo mandado logo embora. E aconselha também os outros a não seguirem o seu exemplo, quando virem uma dama formosa, ou arriscam-se a passar pela mesma situação.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Mestria
Cobras uníssonas (rima c singular)
(Saber mais)


Fontes manuscritas

A 199, B 350
(C 350)

Cancioneiro da Ajuda - A 199

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 350


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas