Rodrigo Anes Redondo


O que vos diz, senhor, que outra rem desejo
 no mundo mais ca vós, est'é o mui sobejo
  mentira[l] quen'o diz; ca, u quer que eu sejo,
sem vós nom me sei eu eno mundo guarida;
5e se vou u vos vej', e quand'a vós eu vejo,
        vejo eu i quem trage mia mort'e mia vida.
  
[E] foi vo-lo dizer o que há grand'enveja
porque vos quer'eu bem e nom sabi a sobeja
coita que me vós dades; que, u quer que seja,
10no coraçom me dá voss'amor tal ferida:
[que] quando vos eu vejo (assi Deus me veja!),
       vejo eu i quem trage mia mort'e mia vida.
  
[E foi] já vos dizer cousa mui desguisada:
[d]e seer outra rem no mundo desejada
15de mi como vós sodes; mais vós, mesurada,
 fremosa e mansa e doutro bem comprida,
non'o creades, ca u vos [vejo], bem talhada,
       vejo eu i quem trage mia mort'e mia vida.
  
De mim podedes vós, senhor, seer servida,
20se vos pesar mia morte e vos prouguer mia vida.
  
Se vos pesar mia morte e vos prouguer mia vida,
como em outro tempo foi, [seredes servida].



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Nota geral:

A composição centra-se na figura do intriguista, usual na lírica provençal (o lausengier), mas muito mais rara na lírica galego-portuguesa. Dirigindo-se à sua senhora, o trovador nega, pois, todas as mentiras que alguém lhe terá ido dizer sobre a sinceridade do seu amor. Garantindo-lhe que, sem ela, não pode viver, pois ela tem nas mãos a sua morte e a sua vida, acrescenta que é apenas a inveja que faz falar quem lhe diz contrário, pedindo-lhe para não acreditar em tais palavras. Nas findas, lembra-lhe ainda o tempo em que ela o favorecia, declarando que a servirá se puderem regressar a esse tempo (ou seja, se esquecerem este episódio de intriga).



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Refrão
Cobras singulares
Palavra perduda: v. 3 de cada estrofe
Finda (2)
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 334

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 334


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas