João Soares Coelho


Dizem que digo que vos quero bem,
senhor, e buscam-me convosco mal;
mais rog'a Deus, senhor, que pod'e val
e que o mund'e vós em poder tem:
5       se o dixe, mal me leixe morrer,
       se nom, senhor, quem vo-lo foi dizer!
  
E venh'a vós, chorando destes meus
olhos, com vergonha e com pavor,
e com coita que hei desto, senhor,
10que vos disserom, e rog'assi Deus:
       se o dixe, mal me leixe morrer;
       se nom, senhor, quem vo-lo foi dizer!
  
Nom me sei en doutra guisa salvar:
mais nunca o soub'home nem molher
15per mi, nem vós; e Deus, se lhe prouguer,
rog'eu assi quanto posso rogar:
       se o dixe, mal me leixe morrer,
       se nom, senhor, quem vo-lo foi dizer!
  
E lhe faça atal coita sofrer
20qual faz a mim e non'o ouso dizer!



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Nota geral:

A cantiga junta o tema do segredo obrigatório na relação entre o apaixonado e a sua senhora, com o tema dos intriguistas, ou dos que falam de mais. Sabendo que foram dizer à sua senhora, para que fique mal visto a seus olhos, que ele anda dizendo que a ama, o trovador, chorando de vergonha e pavor, dirige-lhe um veemente desmentido: se o disse, que Deus o faça cruelmente morrer, e se não, que faça morrer quem tal coisa lhe disse. Não tem outra maneira de se justificar: nenhum homem ou mulher soube do seu amor por ele, como também ela nunca o soube.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Refrão
Cobras singulares
Finda
(Saber mais)


Fontes manuscritas

A 178, B 329

Cancioneiro da Ajuda - A 178

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 329


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas