João Soares Coelho


Noutro dia, quando m'eu espedi
de mia senhor, e quando mi houv'a ir,
e me nom falou, nem me quis oir,
tam sem ventura foi que nom morri!
5       Que, se mil vezes podesse morrer,
       mẽor coita me fora de sofrer!
  
 U lh'eu dixi: "Com graça, mia senhor!"
catou-me um pouc'e teve-mi em desdém;
e porque me nom disse mal nem bem,
10fiquei coitad'e com tam gram pavor,
       que, se mil vezes podesse morrer,
       mẽor coita me fora de sofrer!
  
 E sei mui bem, u me dela quitei
e m'end'eu fui e nom me quis falar,
15ca, pois ali nom morri com pesar,
nunca jamais com pesar morrerei.
       Que, se mil vezes podesse morrer,
       mẽor coita me fora de sofrer!



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Nota geral:

O trovador dá conta da frieza da sua senhora numa recente despedida: nem lhe falou nem quis ouvi-lo, limitando-se a olhá-lo por breves instantes com desdém quando ele lhe disse adeus. Uma frieza que o fez sentir-se tão mal que teria preferido mil vezes morrer. Na verdade, como acrescenta na 3ª estrofe, se não morreu de tristeza nesse momento, crê que nunca de tristeza morrerá.
Não é impossível que a voz feminina de uma cantiga de amigo do trovador entre em diálogo com esta composição.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Refrão
Cobras singulares
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Fontes manuscritas

A 174, B 325

Cancioneiro da Ajuda - A 174

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 325


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas