João Soares Coelho


Pelos meus olhos houv'eu muito mal
e pesar tant'e tam pouco prazer,
que me valvera mais non'os haver,
nem veer nunca mia senhor, nem al.
 5       E nom mi há prol de queixar-m'end'assi;
       mais mal dia eu dos meus olhos vi!
  
Ca por eles houv'eu mui pouco bem;
e o pesar que me fazem sofrer
e a gram coita nom é de dizer.
10E queixar-m'-ia, mais nom hei a quem.
       E nom mi há prol de queixar m'end'assi,.
       mais mal dia eu dos meus olhos vi!
  
E a senhor que me forom mostrar,
de quantas donas Deus quiso fazer
15de falar bem e de bem parecer,
e por que moiro, nom lh'ouso falar.
       E nom mi há prol de queixar m'end'assi;
       mais mal dia eu dos meus olhos vi!



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Nota geral:

É contra os seus olhos que o trovador dirige esta cantiga: de tal forma lhe trazem tanto mal e tão pouco prazer que mais lhe valia não os ter, e assim nunca ter visto a sua senhora. Embora de nada adiante, ele lamenta, pois (no refrão), o facto de não ser cego e poder ver. Na terceira estrofe da cantiga ele faz o elogio da senhora, à qual nunca ousou falar.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Refrão
Cobras rima a singular, rima b uníssona
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Fontes manuscritas

A 163, B 316

Cancioneiro da Ajuda - A 163

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 316


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas