Pesquisa no glossário
  (linha 13)

João Soares Coelho


Eu me coidei, u me Deus fez veer      ←
esta senhor, contra que me nom val,      ←
que nunca me dela verria mal:      ←
tanto a vi fremoso parecer,      ←
5e falar mans', e fremos'e tam bem      ←
 e tam de bom prez e tam de bom sem      ←
que nunca dela mal cuidei prender.      ←
  
 Esto tiv'eu que m'havi'a valer      ←
contra ela, e todo mi ora fal,      ←
 10e de mais Deus; e viv'em coita tal      ←
qual poderedes mui ced'entender      ←
per mia morte, ca moir'e praze-m'en.      ←
E d'al me praz: que nom sabem por quem,      ←
nen'o podem jamais per mi saber!      ←
  
 15Pero vos eu seu bem queira dizer      ←
todo, nom sei, pero convosc'em al      ←
 nunca fale. Mais fezo-a Deus qual      ←
El melhor soube no mundo fazer.      ←
Ainda vos al direi que lh'avém:      ←
20todas as outras donas nom som rem      ←
contra ela, nem ham já de seer.      ←
  
E esta dona, poilo nom souber,      ←
nom lhe podem, se torto nom houver,      ←
Deus nem ar as gentes culpa põer.      ←
  
 25Maila mia ventur'e aquestes meus      ←
 olhos ham i grande culpa e [ar] Deus      ←
que me fezerom tal dona veer.      ←



 ----- Aumentar letra ----- Diminuir letra

Nota geral:

O trovador começa por dizer que, ao ver pela primeira vez a sua senhora, nunca pensou que dela lhe pudesse vir qualquer mal, pois o que nela viu foi beleza, uma falar suave, formoso e acertado, honra e sensatez. Qualidades que o protegeriam, pensava, mas que agora de nada lhe valem (como Deus não lhe vale), já que vive em tal sofrimento que só deseja morrer. Se essa ideia o alegra, igualmente se alegra por ninguém saber quem é a senhora, cuja identidade nunca revelará. Na 3ª estrofe, o trovador retoma o seu elogio, mas dizendo apenas que, embora não fale em mais nada, nunca poderá louvar cabalmente as suas (infinitas) qualidades, que resume dizendo que Deus a fez como a melhor coisa que soube fazer no mundo, e que, ao lado dela, todas as outras nada são nem nada jamais serão.
Na 1ª finda, ele descarta qualquer responsabilidade da mesma senhora no seu sofrimento, já que ela desconhece totalmente a situação. Os verdadeiros culpadas, acrescenta na 2ª finda, são quem permitiu que ele a visse: a sua (má) sorte, os seus olhos e Deus.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Mestria
Cobras doblas
Finda (2)
(Saber mais)


Fontes manuscritas

A 161

Cancioneiro da Ajuda - A 161


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas