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  (linha 24)

Fernão Garcia Esgaravunha


Quam muit'eu am'ũa molher      ←
non'o sabe Nostro Senhor,      ←
nem ar sabe quam gram pavor       ←
hei hoj'eu dela, cuido-m'eu;      ←
5ca, se o soubesse, sei eu      ←
 ca se doeria de mi      ←
e nom me faria assi      ←
querer bem a quem me mal quer.      ←
  
 Pero que dizem que negar      ←
 10nom xe Lhe pode nulha rem      ←
que El nom sábia, sei eu bem       ←
que aind'El nom sabe qual      ←
bem lh'eu quero, nem sab'o mal      ←
que m'ela por si faz haver;      ←
15ca, se o soubesse, doer-      ←
s'-ia de mi, a meu cuidar.      ←
  
Ca Deus de tal coraçom é      ←
que, tanto que sabe que tem      ←
eno seu mui gram coit'alguém,      ←
20logo lhi conselho pom;      ←
e por esto sei eu que nom      ←
sab'El a coita que eu hei,      ←
nem eu nunca o creerei      ←
 por aquesto, per bõa fé.      ←



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Nota geral:

O trovador, de forma algo heterodoxa, argumenta que Deus decerto desconhece ainda o grande amor que ele tem à sua senhora e também o medo que tem dela - porque, se soubesse, condoer-se-ia dele e não o faria apaixonar-se por quem lhe quer mal. E embora todos digam que nada se pode esconder a Deus, ele continua a pensar que Ele nada sabe do seu sofrimento, porque, sendo próprio de Deus ajudar todos os que sofrem, o trovador não pode acreditar que no seu caso não seja assim.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Mestria
Cobras singulares
(Saber mais)


Fontes manuscritas

A 119, B 235

Cancioneiro da Ajuda - A 119

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 235


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas