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  (linha 2)

Fernão Garcia Esgaravunha


Quem vos foi dizer, mia senhor,      ←
que eu desejava mais al      ←
 ca vós, mentiu-[vos]. Se nom, mal      ←
me venha de vós e de Deus!      ←
5E se nom, nunca estes meus      ←
olhos vejam nẽum prazer      ←
de quant'al desejam veer!      ←
  
E veja eu de vós, senhor,      ←
e de quant'al amo, pesar,      ←
10se nunca no vosso logar      ←
tive rem no meu coraçom;      ←
atanto Deus nom me perdom      ←
nem me dê nunca de vós bem,      ←
que desej'eu mais doutra rem!      ←
  
15E per bõa fé, mia senhor,      ←
amei-vos muito mais ca mi,      ←
e se o nom fezesse assi,      ←
 de dur verri'aqui mentir      ←
a vós, nem m'iria partir      ←
20d'u eu amasse outra molher      ←
mais ca vós; mais pois que Deus quer      ←
  
que eu a vós queira melhor,      ←
 valha m'El contra vós, senhor,      ←
 ca muito me per é mester!      ←



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Nota geral:

O trovador defende-se dos caluniadores que dizem que o seu coração não é exclusivamente da sua senhora: mentem, jura, e se não é assim, nunca Deus lhe dê qualquer outro prazer na vida. De resto, como acrescenta na 3ª estrofe, se não a amasse sobre todas as outras, não teria vindo expressamente só para lhe mentir, nem se teria afastado da suposta outra.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Mestria
Cobras singulares (rima a uníssona)
Palavra(s)-rima: (v. 1 de cada estrofe)
senhor
Palavra perduda: v. 1 de cada estrofe
Finda
(Saber mais)


Fontes manuscritas

A 115, B 231

Cancioneiro da Ajuda - A 115

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 231


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas