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  (linha 10)

João Nunes Camanês


Nom me queredes, mia senhor,      ←
fazer bem enquant'eu viver;      ←
e, pois eu por vós morto for,      ←
nom mi o poderedes fazer:      ←
5       ca nom vi eu quem fezesse      ←
       nunca bem, se nom podesse.      ←
  
 Podedes-vos nembrar bem lheu      ←
de mim, que sofro muito mal      ←
por vós; e digo-vo-l'ant'eu,      ←
 10que pois me nom faredes al:      ←
       ca nom vi eu quem fezesse      ←
       nunca bem, se nom podesse.      ←
  
Podedes-vos nembrar de mim      ←
depois mia mort'e sem al rem;      ←
 15e se eu faça bõa fim,      ←
nom me faredes outro bem:      ←
       ca nom vi eu quem fezesse       ←
       nunca bem, se nom podesse.      ←
  
Fazede-mi, e gracir-vo-l'-ei,      ←
20bem, mentr'ando vivo; ca nom      ←
mi o faredes, eu bem o sei,      ←
pois eu morrer, por tal razom:      ←
       ca nom vi eu quem fezesse       ←
       nunca bem, se nom podesse.      ←



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Nota geral:

Se a sua senhora se dispõe a não lhe conceder os seus favores enquanto viver, o trovador diz-lhe que também não será depois de morto que ela lhos poderá conceder (porque ninguém faz um bem que é impossível). O mais que ela então poderá fazer será lembrar-se dele. Na estrofe final ele pede-lhe, pois, que lhe faça bem enquanto está vivo.
O modo como João Nunes desenvolve o convencional tema da morte de amor não deixa de ser aqui discreta mas claramente irónico.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Refrão
Cobras singulares
(Saber mais)


Fontes manuscritas

A 112, B 225

Cancioneiro da Ajuda - A 112

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 225


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Ca nom vi eu quem fezesse nunca bem, se nom pudesse  

Versão de Frederico de Freitas