Pero Garcia Burgalês


Ai eu! que mal dia naci,
com tanto mal quanto me vem,
querend'ũa dona gram bem
que me fez mal des que a vi
 5e faz e nom s'en quer quitar;
e ora faz-me desejar
mia mort'e alongar de si!
  
E, mal pecado!, viv'assi
coitad'e sol nom acho quem
 10se doia de mim! E per rem
mia senhor nom se dol de mim!
E al me faz: se lhe pesar
faz outr', a mim se vem queixar
 por en, que culpa nom hei i.
  
 15E por gram coita tenh'atal
eu, que sol nom lh'ouso dizer
o gram mal que me faz haver;
e desejo sempre mais d'al
de lho dizer, mais hei pavor
20de pesar muit'a mia senhor,
e calo-m'ante com meu mal.
  
[M]ais rog'a Deus que sab'o mal
que me mia senhor faz sofrer,
que El me fa[ç']ensandecer,
25pois que m'outro bem todo fal,
ou morrer, se sandeu nom for,
 ca esto me será melhor,
pois que m'ela nem Deus nom val.



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Nota geral:

Começando por lamentar o dia em que nasceu, devido ao sofrimento que uma dona lhe causa, o trovador diz que agora ela o faz morrer, já que quer que ele se afaste. E se ninguém se compadece dele, muito menos ela, é ainda vítima de outra desgraça: pois, se alguém a incomoda e entristece, é a ele, que nada tem a ver com o assunto, que ela se vem queixar. E nunca ele ousa confessar-lhe os seus verdadeiros sentimentos! De modo que pede a Deus que o faça enlouquecer ou, se tal não acontecer, que lhe dê a morte, já que em relação a ela não lhe vale..



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Mestria
Cobras doblas
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Fontes manuscritas

A 96, B 203

Cancioneiro da Ajuda - A 96

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 203


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas