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  (linha 15)

Pero da Ponte


Aos mouros que aqui som      ←
 Dom Álvaro rem nom lhis dá,      ←
  mais manda-lhis filhar raçom      ←
da cachaça, e dar-lhis [nom] há      ←
5do al que na cozinh'houver;      ←
mais o mouro que mi crever      ←
a cachaça nom filhará.      ←
  
Mais, se lha derem, log'entom      ←
aos cães a deitará,      ←
10e direi-vos por qual razom:      ←
 ca nunca xe lhi cozerá;      ←
e a cachaça nom há mester,      ←
pois que se [lhi] nom cozer      ←
a quanta lenha no mund'há.      ←
  
15Nen'os mouros, a meu cuidar,      ←
poila virem, non'a querrám;      ←
mais, se a quiserem filhar,      ←
direi-vos como lhi farám:      ←
i-la-am logo remolhar,      ←
 20ca assi soem adubar      ←
a cachaça, quando lha dam.      ←



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Nota geral:

Mais outro cerrado equívoco, desta vez na sátira a um rico-homem pelintra. A cantiga gira à volta do termo cachaça, que é, de um ponto de vista alimentar, a cabeça de porco salgada. Seria esse o único alimento que este D. Álvaro dava aos seus serviçais mouros. Mas a expressão "dar cachaça" significará aqui também "dar tareia" (de cachaço, ou cachação). Aliás, o remédio final referido, o "pôr de molho", condiz bem com o único tratamento que os pobres mouros encontrariam para a cachaça que o rico-homem lhes dava.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Escárnio e maldizer
Mestria
Cobras doblas
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 1654, V 1188

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 1654

Cancioneiro da Vaticana - V 1188


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas