Toponímia referida na cantiga:
  (linha 2)

Pero da Ponte


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 Maria Pérez, a nossa cruzada,      ←
quando veo da terra d'Ultramar,      ←
assi veo de perdom carregada      ←
que se nom podia com el merger;      ←
 5mais furtam-lho, cada u vai maer,      ←
e do perdom já nom lhi ficou nada.      ←
  
E o perdom é cousa mui preçada      ←
e que se devia muit'a guardar;      ←
 mais ela nom há maeta ferrada      ←
10em que o guarde, nen'a pod'haver,      ←
 ca, pois o cadead'en foi perder,      ←
sempr'a maeta andou descadeada.      ←
  
Tal maeta como será guardada,      ←
pois rapazes albergam no logar,      ←
15que nom haj'a seer mui trastornada?      ←
Ca, o logar u eles ham poder,      ←
nom há perdom que s'i possa asconder,      ←
assi sabem trastornar a pousada.      ←
  
E outra cousa vos quero dizer:      ←
20tal perdom bem se devera perder,      ←
ca muito foi cousa mal gaada.      ←



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Nota geral:

Como era usual na época, também a famosa soldadeira Maria Balteira teria feito uma cruzada à Terra Santa, para ganhar os perdões ou indulgências habituais. O pior é que, no seu regresso, uns rapazes lhe foram roubando as ditas indulgências, em sucessivos ataques à sua maleta descadeada. A cantiga é um dos mais perfeitos equívocos do cancioneiro satírico.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Escárnio e maldizer
Mestria
Cobras uníssonas
Dobre: (vv. 3 e 6 de cada estrofe)
perdom (I), maeta (II), trastornada/trastornar (III)
Palavra perduda: (v. 2 de cada estrofe)
Finda
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 1642, V 1176

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 1642

Cancioneiro da Vaticana - V 1176


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas