Pero da Ponte


D'um tal ric'home ouç'eu dizer
que est mui ric'hom'assaz,
de quant'em gram requeza jaz;
mais esto nom poss'eu creer,
5mais creo-mi al, per boa fé:
quem d'amigos mui prob[e] é
nom pode mui rico seer.
  
De mais, quem há mui gram poder
de fazer alg'e o nom faz,
10mais de viver porque lhi praz?
Pois que nom val nem quer valer
[c]om grand'estança, que prol lh'há?
Ca, pois d'amigos mal está,
nom pode bõa estanç'haver.
  
15Ca, pois hom'é de tal convém
por que todos lhi querem mal,
o Demo lev'o que lhi val
sa requeza! De mais a quem
nom presta a outrem nem a si,
20de mal conhocer per est i
quem tal home por rico tem.
  
E direi-vos del outra rem
e nom acharedes end'al:
pois el diz que lhi nom en chal
25de dizerem del mal nem bem,
jamais del nom atenderei
bom feit[o], e sempr'o terrei
por cousa que nom vai nem vem.
  
Mas, pero lh'eu grand'haver sei,
30que há el mais do que eu hei,
pois s'end'el nom ajuda rem?



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Nota geral:

Sátira a um rico-homem, em tom de sirventês moral, que joga com o sentido social e literal desta designação medieval. A ideia central é a de que um rico-homem pobre de amigos não pode ser considerado um homem rico.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Escárnio e maldizer
Mestria
Cobras doblas (rima c singular)
Finda
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 1640, V 1174

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 1640

Cancioneiro da Vaticana - V 1174


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas