Pero da Ponte


Quand'eu d'Olide saí,
preguntei por Aivar;
e disse-mi log'assi
aquel que foi preguntar:
5- Senhor, vós creed'a mi,
que o sei mui bem contar:
Eu vos contarei quant'há daqui a cas Dom Xemeno:
       um dia mui grand'há i, e um jantar mui pequeno.
  
Disse-mi, u me del parti:
10- Quero-vos bem conselhar:
a jornada que daqui
vós oi queredes filhar
será grande, pois des i
crás nom é rem o jantar.
15Por en vos conto quant'há daqui a cas Dom Xemeno:
       um dia mui grand'há i, e um jantar mui pequeno.



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Nota geral:

Nova cantiga que se serve de uma antítese (dia grande/jantar pequeno) para mais uma sátira a um rico-homem sovina, no caso fazendo o contraste entre a distância a percorrer até às suas terras e o jantar que aí esperaria o viajante.
Dirigida ao grande fidalgo navarro D. Xemeno de Ayvar, chefe da linhagem sediada exatamente na área geográfica da suposta viagem, a composição aludirá, na verdade, a um contexto político muito concreto - os conflitos entre Afonso X e o rei de Navarra. Tal como acontece com uma outra composição de Pero da Ponte, formalmente muito semelhante a esta, ela datará, pois, de 1254, ou seja, do momento em que o rei castelhano ameaçava militarmente Teobaldo II, concentrando as suas tropas na margem do rio Ebro. Vicenç Beltran1 sugere mesmo que Pero da Ponte a teria composto por volta de dezembro desse ano ou janeiro do seguinte, período em que Jaime I de Aragão, aliado do rei de Navarra, se deslocou efetivamente a Olide. Assim sendo, a cantiga, mais do que descrever uma viagem real de um segrel em busca de um jantar, seria sobretudo uma elaborada forma de propaganda política ao serviço do rei castelhano. Nesta medida, Pero da Ponte parece mesmo concentrar indiretamente em D. Ximeno de Ayvar uma acusação que tradicionalmente era feita aos navarros, particularmente ao seu rei: a de ser muito rico e muito sovina.
Acrescente-se que, dada a semelhança formal entre as duas composições de Pero da Ponte, é possível que elas tivessem utilizado uma mesma melodia.

Referências

1 Beltran, Vicenç (2005), La corte de Babel. Lenguas, poética y política en la España del siglo XIII, Madrid, Bredos, pp. 153-157.
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Nota geral


Descrição

Cantiga de Escárnio e maldizer
Refrão
Cobras uníssonas
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 1637, V 1171

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 1637

Cancioneiro da Vaticana - V 1171


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas