Antroponímia referida na cantiga:
  (linha 1)

Pero da Ponte


Sueir'Eanes, este trobador,      ←
 foi por jantar a cas d'um infançom      ←
e jantou mal; mais el vingou-s'entom,      ←
que ar hajam os outros del pavor,      ←
5e nom quis el a vendita tardar:      ←
e, tanto que se partiu do jantar,      ←
trobou-lhi mal, nunca vistes peior.      ←
  
E no mundo nom sei eu trobador      ←
de que s'home mais devesse temer      ←
10de x'el mui maas três cobras fazer,      ←
ou quatro, a quem lhi maa barva for;      ←
 ca, des que vo-lh'el cae na razom,      ←
maas três cobras, ou quatr'e o som,      ←
de as fazer muit'é el sabedor.      ←
  
15E por esto nom sei no mundo tal      ←
home que a el devess'a dizer      ←
de nom, por lhi dar mui bem seu haver;      ←
e a Sueir'Eanes nunca lhi fal      ←
  razom de quem el despagado vai,      ←
20em que lhi troba tam mal e tam lai,      ←
per que o outro sempre lhi quer mal.      ←



 ----- Aumentar letra ----- Diminuir letra

Nota geral:

Divertida sátira que mata dois coelhos de uma cajadada: um infanção pelintra e o trovador Sueiro Eanes (de quem não nos chegou nenhuma cantiga, mas que foi um repetido alvo da troça trovadoresca). Segundo Pero da Ponte, como vingança pelo jantar que o infanção lhe teria dado, Sueiro Eanes teria composto umas trovas satíricas, o que é sempre de temer (sobretudo dada a qualidade delas).



Nota geral


Descrição

Cantiga de Escárnio e maldizer
Mestria
Cobras singulares
Palavra(s)-rima: imperf. (v. 1 em I e II):
trobador
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 1636, V 1170

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 1636

Cancioneiro da Vaticana - V 1170


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas