Toponímia referida na cantiga:
  (linha 20)

Martim Anes Marinho


Ena primeira rua que cheguemos,      ←
 guarnir-nos-á Dom Foam mui bem      ←
d'um pan'estranho que todos sabemos,      ←
 d'ũa ucha pere[nal] que [i] tem;      ←
5e as calças seram de melhor pano:      ←
feitas seram de névoa d'antano;      ←
e nós de chufas guarnidos seremos.      ←
  
E prometeu-m'el ũa bõa capa,      ←
ca nom destas maas feitas de luito,      ←
10mais outra bõa, feita de gualdrapa,      ←
cintada, e de nom pouco nem muito;      ←
e ũa pena, nom destas mizcradas,      ←
mais outra bõa, de chufas paradas;      ←
já m'eu daqui nom irei sem a capa.      ←
  
15Viste'lo potro coor de mentira,      ←
que mi antano prometeu em Janeiro,      ←
que nunca home melhor aqui vira?      ←
Criado foi em Castro Mentireiro.      ←
E prometeu-m'ũas armas entom,      ←
20nom destas maas feitas de León,      ←
mais melhores, d'Outeir'em Freixeeiro.      ←
  
  Com grande labor, mi deu a loriga,      ←
e toda era de chufas viada;      ←
e como quer que vos end'eu al diga,      ←
25nunca mi a home viu na pousada;      ←
e [atam] cravelada de mensonha      ←
 e tam lev'era, que bem de Coronha      ←
a trageria aqui ũa formiga.      ←
  
E prometeu-m'ũa arma preçada,      ←
30como dizem os que a conhocerom;      ←
"gualdrapa Fariz" havia nom'a espada,      ←
de mouros foi, nom sei u x'a perderom;      ←
e pelo pão mi prometeu log'i      ←
de nevoeiro, e eu lho recebi,      ←
35que me pagass', a seu poder, de nada.      ←
  
[De preç'e com labor foi a loriga      ←
que m'el mandou e de parla viada;      ←
mais como quer que vo-lo homem diga,      ←
nunca a mim virom teer na pousada:      ←
40bem cravelada e[ra] de zamponha,      ←
des i tam leve, que bem de Monçonha      ←
mi a aduria aqui ũa formiga.]      ←



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Nota geral:

Curiosa cantiga denunciando as falsas promessas de um senhor (talvez galego, atendendo à referência à cidade da Corunha, feita no v. 27), repleta de originais imagens, o que lhe confere um tom pouco frequente nos Cancioneiros. Infelizmente o texto está em muito mau estado nos manuscritos, os quais, além disto, transcrevem ainda, no final, uma sexta estrofe que parece ser uma mera variante da quarta (mas que se edita em itálico).



Nota geral


Descrição

Cantiga de Escárnio e maldizer
Mestria
Cobras singulares
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 1621, V 1154
(C 1621)

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 1621

Cancioneiro da Vaticana - V 1154


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas