Antroponímia referida na cantiga:
  (linha 5)

Estêvão Fernandes Barreto

Rubrica:

  

Esta cantiga de cima fez Stevam Fernándiz Barreto a um cavaleiro que era gafo e morava em Santarém; e soem a ir em romaria a Santa Maria; aa mão dereita do caminho está logo a Triindade, e estava logo a gafaria a par dela.


[E]stêv[am] Eanes, por Deus mandade      ←
a Roi Paaes, logo este dia,      ←
[que] se quiser ir a Santa Maria      ←
que se nom vaa pela Triindade,      ←
 5ca mi dizem que lhe tem Fernam Dade      ←
       ciada feita pela gafaria.      ←
  
Se a romaria fazer quiser,      ←
como a sempre [el] fazer soía,      ←
outro caminho cate todavia,      ←
10ca o da Triindade nom lh'é mester;      ←
ca dizem que Fernam Dade lhe quer      ←
       meter ciada pela gafaria.      ←
  
 E cada que el vem a Santarém,      ←
sempre aló vai fazer romaria;      ←
15e da Triindade, per u soía      ←
d'ir, mandade que se guard'el mui bem,      ←
ca dizem que Fernam Dade lhe tem      ←
       ciada feita pela gafaria.      ←



 ----- Aumentar letra ----- Diminuir letra

Nota geral:

Curiosa cantiga que é, ao mesmo tempo, a única referência à lepra que encontramos nos cancioneiros. A rubrica que a acompanha explica em termos gerais o contexto: trata-se de um cavaleiro alegadamente leproso (gafo) que era perseguido por um outro, que lhe preparava uma cilada, por ocasião de uma romaria que ele costumava fazer. É o lugar da cilada que constitui a alusão à lepra. De facto tanto podemos entender a expressão final do refrão (pela gafaria) como a indicação de um lugar (perto da gafaria), como do motivo da cilada (por causa da gafaria).
Das personagens referidas na cantiga, uma delas, a do perseguidor Fernão Dade, é de fácil identificação, já que se trata do filho de Martim Dade, um conhecido alcaide de Santarém. Menos simples é a identificação do alegado leproso, Rui Pais, e do Estevão Eanes referido no início da cantiga, aparentemente apenas como mensageiro. Damos, no entanto, nas notas algumas sugestões. De resto, datando o testamento de Fernão Dade de 1295, como nos informa Resende de Oliveira1, e estando o trovador atestado em Santarém no ano anterior, a cantiga deverá ter sido composta por esta data.

Referências

1 Oliveira, António Resende (1993), "Estevan Fernandiz Barreto", in Dicionário da Literatura Medieval Galega e Portuguesa, Lanciani, Giulia e Tavani, Giuseppe (org.) , Lisboa, Editorial Caminho.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Escárnio e maldizer
Refrão
Cobras singulares
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 1611, V 1144
(C 1611)

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 1611

Cancioneiro da Vaticana - V 1144


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas