Pero Garcia de Ambroa


Querri'agora fazer um cantar,
se eu podesse, tal a Pedr'Amigo,
que se nom perdess'el por en comigo
nem eu com el; pero nom poss'achar
5tal razom em que lho possa fazer,
que me nom haja com el de perder
e el comigo, des que lh'eu trobar.
  
Ca já outra vez, quando foi entrar
ena ermida velha Pedr'Amigo,
10trobei-lh'end'eu, e perdeu-s'el comigo
e eu com el, quando vim d'Ultramar;
mais ora já, pois m'el foi cometer,
outra razom lhi cuid'eu a mover,
de que haja dous tamanho pesar.
  
15Ca, se acha per u m'escatimar,
nom vos é el contra mi Pedr'amigo,
e per aquesto perder-s'-á comigo
e eu com el; ca, poil'eu começar,
tal escátima lhi cuid'eu dizer
20que, se mil anos no mund'el viver,
que já sempr'haja de que se vingar.



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Nota geral:

Continuam as disputas com Pedro Amigo de Sevilha, nas quais a composição de cantigas satíricas mútuas teria um lugar de relevo. Aqui, Pero d´Ambroa alude à zanga que teria provocado a sua cantiga da "ermida velha", mas defende-se igualmente das chacotas de que foi alvo a propósito da sua peregrinação à Terra Santa (cuja efetiva realização aproveita para confirmar).
Note-se ainda o trocadilho com o nome Amigo que é feito na terceira estrofe.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Escárnio e maldizer
Mestria
Cobras uníssonas
Palavra(s)-rima: (v. 2 de cada estrofe)
Pedr'Amigo
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Fontes manuscritas

B 1598, V 1130

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 1598

Cancioneiro da Vaticana - V 1130


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas