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Pero Garcia de Ambroa


Ora vej'eu que est aventurado      ←
já Pedr'Amigo e que lhi fez Deus bem,      ←
 ca nom desejou do mund'outra rem      ←
 senom aquesto que há já cobrado:      ←
5ũa ermida velha que achou;      ←
e entrou dentr'; e pois que i entrou,      ←
de sair dela sol nom é pensado.      ←
  
E pois achou lugar tam aguisado      ←
em que morasse, por dereito tem      ←
10de morar i; e vedes que lh'avém:      ←
con'a ermida é muit'acordado      ←
e diz que sempre querrá i morar      ←
e que quer i as carnes marteirar,      ←
ca deste mundo muit'há já burlado.      ←
  
15E nom sei eu no mund'outr'home nado      ←
que s'ali fosse meter; e mal sem      ←
 faz, se o ende quer quitar alguém:      ←
ca da ermida tant'é el pagado,      ←
que há jurado que nom saia d'i      ←
20morto nem viv', e sepultura i      ←
tem em que jasca, quando for passado.      ←



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Nota geral:

Chacota a Pedro Amigo de Sevilha, que Pero d´Ambroa nos apresente retirado numa velha ermida, a penitenciar os seus pecados. A cantiga será certamente um equívoco erótico, não passando esta "ermida velha" de uma velha (ou assim chamada) soldadeira (ou mesmo de uma parte da sua anatomia). Pero d´Ambroa regressa, aliás, ao tema, numa outra cantiga.
De resto, a troca de galhardetes por questões femininas (talvez tendo como motivo a célebre Maria Balteira) foi mútua (veja-se, como exemplo, Pero d´Ambroa, tal senhor havedes, de Pedro Amigo).



Nota geral


Descrição

Cantiga de Escárnio e maldizer
Mestria
Cobras uníssonas (rima c singular)
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 1596, V 1128
(C 1596)

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 1596

Cancioneiro da Vaticana - V 1128


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas