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  (linha 22)

Afonso Anes do Cotom


Covilheira velha, se vos fezesse      ←
grande [e]scárnio, dereito faria,      ←
ca me buscades vós mal cada dia;      ←
e direi-vos em que vo-l'entendi:      ←
5ca nunca velha fududancua vi      ←
que me nom buscasse mal, se podesse.      ←
  
E nom est ũa velha nem som duas      ←
mas som vel cent'as que m'andam buscando      ←
 mal quanto podem e m'andam miscrando;      ←
10e por esto rog'eu de coraçom      ←
a Deus que nunca meta se mal nom      ←
antre mim e velhas fududancuas.      ←
  
E pero lança de morte me feira,      ←
covilheira velha, se vós fazedes      ←
15nẽum torto se me gram mal queredes;      ←
ca Deus me tolha o corp'e quant'hei      ←
se eu velha fududancua sei      ←
hoje no mundo a que gram mal nom queira.      ←
  
E se me gram mal queredes, covilheira      ←
20velha, dig'eu que fazedes razom,      ←
ca vos quer'eu gram mal de coraçom,      ←
covilheira velha; e sabed'or'[al]:      ←
des que fui nado, quig'eu sempre mal      ←
a velha fududancua peideira.      ←



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Nota geral:

Violento ataque a uma velha camareira com a qual Cotom teria um contencioso, certamente relacionado com o serviço da sua senhora, que ela deveria contrariar. Aproveitando a ira, Cotom amaldiçoa todas as velhas em geral, numa cantiga onde abundam as expressões injuriosas.



Nota geral


Descrição

Escárnio e Maldizer
Mestria
Cobras singulares
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 1587, V 1119

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 1587

Cancioneiro da Vaticana - V 1119


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas