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  (linha 18)

Afonso Anes do Cotom


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Abadessa, dizer      ←
que érades mui sabedor      ←
de tod'o bem; e, por amor      ←
de Deus, querede-vos doer      ←
5de mim, que ogano casei,      ←
que bem vos juro que nom sei      ←
mais que um asno de foder.      ←
  
 Ca me fazem en sabedor      ←
de vós que havedes bom sem      ←
10de foder e de tod'o bem;      ←
ensinade-me mais, senhor,      ←
como foda, ca o nom sei,      ←
nem padre nem madre nom hei      ←
que m'ensin'e fic'i pastor.      ←
  
15E se eu ensinado vou      ←
 de vós, senhor, deste mester      ←
de foder e foder souber      ←
per vós, que me Deus aparou,      ←
 cada que per foder direi      ←
20Pater Noster e enmentarei      ←
a alma de quem m'ensinou.      ←
  
 E per i podedes gaar,      ←
mia senhor, o reino de Deus,      ←
per ensinar os pobres seus      ←
25mais ca por outro jajũar;      ←
e per ensinar a molher      ←
coitada, que a vós veer,      ←
senhor, que nom souber ambrar.      ←



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Nota geral:

A mistura do sagrado e do obsceno é a matriz desta sátira contra uma abadessa não identificada. O autor, apresentando-se como recém-casado e orfão, apela à sua experiência nas artes do amor, prometendo rezar um Pai Nosso cada vez que puser em prática os seus ensinamentos nesta matéria. Ensinar os ignorantes, mais do que jejuar, será, pois, o que fará ganhar o reino dos céus à abadessa.



Nota geral


Descrição

Escárnio e Maldizer
Mestria
Cobras singulares
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 1579, V 1111

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 1579

Cancioneiro da Vaticana - V 1111


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Abadessa, oí dizer 

Versão de Octavio Vazquez

Abadessa oí dizer      versão audio disponível

Versão de Xurxo Romaní, Koichi Tanehashi